segunda-feira, 29 de abril de 2013

SAUDADE


O barulho do avião que passa rasgando os azuis e brancos
Lembra-me que a distância que aproxima
é a mesma que afasta
E num instante o barulho cessa.
E sinto saudades ...
Olho para o retrato que fala comigo
E retruco algo sem sentido.
Num diálogo mudo meu estômago retrai
Sem cerimônia meus olhos buscam sinais
E degustam com prazer cada linha que se mostra
E sinto saudades...
Em silêncio me afasto e percebo
Que o tempo, esse que nos amarrota
Impaciente já se foi, levando a luz do dia
O tempo e a distância dançam juntos a música
Que só eu posso ouvir.
E nesta rota, voam meus pensamentos cor de rosa...

sexta-feira, 26 de abril de 2013

ACORDEI...




O que aconteceu enquanto eu dormia?
O mundo parou? Alguém morreu? Quem foi que gritou?
Em que lugar estive? 
A quem visitei?
Acordei descrente e sem esperança
Onde foi que minha alma se escondeu?
Nada é nada e tudo nada é
Estou vazia, divorciada de mim
E mesmo assim,
Sendo um lapso no tempo
Um intervalo
Absoluta
Relativa
Meio assim, no meio do meio do começo do dia
Sem saber se vivo ou se esse mundo existe
Sinto-me estranhamente normal.

quinta-feira, 21 de março de 2013

SIMPATIA E ANTIPATIA




E na pausa para um cafezinho
Um pensamento insiste em me rondar
Estou alerta! De prontidão como um cão!
Que droga!...  Duas metades mentirosas?
A banda podre e  O outro lado.
Porque essa comparação?
Amor,  simpatia....  e antipatia?
A capa do livro! É isso! A capa!
Esta, como a que esconde a identidade secreta do Super Herói!
Não! Não! E Não e mil vezes Não.
Quem quer um amor de mentira
Ou uma poesia fake?
Olho para a foto do poeta e para meu cafezinho.
Cismando...
Beberico mais um golinho
No copinho branco, descartável
Sinto o seu aroma e sabor
Igual seria se estivesse numa xícara de porcelana
Claro que ali, seria mais sofisticado
Mas não menos valoroso
O conteúdo continuaria café!
Há xícaras que são como copinhos de plástico
Há copinhos de plástico que são como xícaras de porcelana fina
Mas o conteúdo se tiver? Este será o mesmo café
Ora estará forte, ora estará quente
Ora estará fraco, ora estará frio
Ora estará doce, ora estará amargo
Será sempre o cafezinho que acompanhará
O dia que amanhece ou um intervalo que se faz necessário
E a simpatia deste cafezinho que grita seu perfume
Que convida a prová-lo, que se oferece quente
Porque me pareceria falso?
Na garrafa térmica ainda tem mais...
O amor não acaba nunca!
O amor é lindo, mesmo para aqueles que acham
Que o que estraga é a falsidade
Simpatia, antipatia e falsidades são comportamentos
Amor não, é sentimento!
E, algumas pessoas são tão especiais que tocam a nossa vida

Não podemos negar.
                                                  Ligia Costa

quinta-feira, 7 de março de 2013

CONVITE


Onde está meu coração?
Como órgão vital me acompanha
É meu, é único, e bate por mim
Às vezes descompassado, fora do ritmo
Às vezes barulhento e o sinto nos meus ouvidos;
Às vezes silencioso que penso que morri

Como órgão sentimental
Mesmo não sendo um coração vulgar
Está onde quiserem que esteja
Podem levar ou ocupar, não há barganha
Conheça-o
É só seguir as setas indicativas
Não precisa de planos perfeitos
Não exige pessoas perfeitas
Não precisa de GPS para encontrá-lo
E sempre haverá espaço 

Qual o truque?
Aprendi a matar alguns sentimentos
Sabe aquele sentimento?
Aquele que gostaria de esquecer?
Amarro-o à mesa de execução
Injeto nele as lágrimas que sofri
Depois.... a vida segue tranquila
Bordada com linhas douradas de esperanças
Preenchida de mim mesma, minha alma segue suave.



quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

SE EU FOSSE POETA ...



Ah! Se seu fosse poeta ....
De tantas coisas bonitas eu ia querer falar
Flores e flores e mais flores para decorar
Jardins de palavras suaves mostrar.



Ah! Se eu fosse poeta...
Tantas palavras eu ia querer colorir
Na voz de quem sabe cantar.










Ah! Se eu fosse poeta...

Falaria de romances e encontros
De bocas, beijos e sabores.


terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

QUERIDO AMIGO



Como fui solicitada a escrever
Aqui me disponho
Reconhecendo que não sou tão boa,
Literalmente falando, quanto o solicitante
Ora me visto de coragem, (armadura imprescindível) e...
Salve-se quem puder! Rsrsrsrsrs

Claro que minha intenção
Ostentadas aqui
Longe de qualquer pretensão maliciosa e de
Ética pretensamente correta é de certa forma, um
Carinhoso reconhecimento e incentivo.


             É precioso
Colecionar seus sentimentos
Organizá-los em caixinhas coloridas e poder
Lançar mãos deles para sonhar e refletir
É uma mistura de doçura e amargor
Certamente bem dosados e
Temperados com os ismos que lhe são peculiares.

              É interessante a
Capacidade de despertar
Atrevidas sensações de alegrias e preocupações
Reações que me fazem pertencer ao
Livro produzido com esmero
Ouso até dizer que me sinto personagem
Silenciosa e barulhenta nesta sinfonia de palavras.

              É peculiar a sua
Coragem em se definir tão
Ostensivamente no que de fato é
Lançando aos corações poesias e reflexões
Éter para quem não registra tais
Conceitos no coração e, de tão voláteis se perdem no
Tempo.

                              Criança brincando com
                              Alquimia de sentimentos
                              Racional e sério em alguns momentos
                              Leve pela superficialidade, em outros
                              Orgulhoso adulto e provocador
                              Sou sua fã, enfim. 

                                  Costumo elevar meus pedidos para que
                                   Onde sua musa estiver
                                    Leia seus versos com muita atenção e
                                     Ébria de emoção te deseje como noivo.
                                     Com meu carinho e muita
                                      Ternura.
                                                        A você.
                                   



domingo, 10 de fevereiro de 2013

CAVERNA


Aí então... me vejo dentro da caverna.

Não estou triste, não estou angustiada, não estou prisioneira. Sou apenas um avião pousado longe do seu destino.

O calendário desgovernado me traz lembranças saborosas, E vou mastigando alegrias coloridas,
saboreando gargalhadas, acariciando olhares, beijando essa magia.

Porém, desastrado calendário que é, me traz lembranças não tão boas assim. Meu corpo se resfria e escorre mágoas antes adormecidas e meus olhos transbordam alívio do que já passou.

É bizarro, mas não estou só; estou acompanhada de muitos eus, os que fui, os que sou e os eus dos outros que estão guardados em mim. Os sons ecoam nas paredes, vozes, músicas e cores bailam sem estardalhaço. São pensamentos, sentimentos e semblantes, alguns já vencidos em suas validades.

Aproveito para avaliar alguns segredos colecionados. Quanto spray desperdiçado para dourar bobagens que o túmulo guardará!

Olho ao redor e presto atenção ao que meu corpo fala, e ao que meus ouvidos entendem. Faço uma tomografia dos meus sentidos. A vida que me leva não é assustadora, mas também não é confiável; às vezes chego mareada devido às turbulências.

Estou dentro da caverna.  Sós, estou dentro de mim. Analítica e sintética.

Que olhos poderosos irão me decifrar?  Qual o preço do resgate a pagar?